Por quê brincar?

Brincar não é tempo perdido. Na nossa sociedade as famílias estão cada vez mais envolvidas em diversos compromisso e as crianças muitas vezes acompanham o ritmo frenético de seus pais. Parece natural que os pequenos devam cumprir uma agenda de atividades. No entanto, pesquisas mostram que o brincar é um dos recursos mais importantes para o desenvolvimento cerebral e para a aquisição de habilidades socioemocionais.

Se perguntarmos a cada pai e mãe o que desejam para seu filho, as respostas em geral incluem felicidade, realização pessoal, relacionamentos saudáveis, sucesso acadêmico e profissional. O hábito de brincar tem uma grande influência na conquista de cada um desses ideais.

Ter momentos de diversão em família não só contribui para a conexão e fortalecimento dos vínculos, mas é essencial para a segurança íntima dos filhos. Estudos mostram que a maior necessidade das crianças, especialmente na primeira infância, é a de se sentirem amadas e protegidas. Isso lhes permite ter a confiança de poderem se expressar, mesmo quando têm emoções desagradáveis, sem risco de perderem o amor daqueles que são mais importantes para elas. Os vínculos familiares saudáveis também contribuem para que o indivíduo tenha a coragem de explorar o mundo e buscar o que deseja.

O hábito de brincar estimula as conexões neuronais no lobo pré-frontal, uma área do cérebro que tem papel fundamental na regulação das emoções, na capacidade de planejamento e resolução de conflitos. Essas são habilidades consideradas atualmente como fundamentais para o sucesso futuro. Além disso, as brincadeiras em grupo auxiliam no desenvolvimento da capacidade de ter interações sociais respeitosas e prazerosas. Muitas experiências durante os jogos da infância contribuem para o desenvolvimento de habilidades sociais e trabalho em equipe: decidir qual atividade cada um irá realizar, esperar a vez do outro, ceder para que se possa brincar juntos, lidar com as vitórias e perdas, entre outras. A convivência em grupo colabora para que as crianças tenham mais facilidade em perceber as emoções dos outros, assim como as suas próprias emoções, aprendendo a tomar decisões que considerem o sentimento de cada um.

Nunca é tarde para começar a brincar e esse hábito deve ser mantido por toda a vida. É o que defende o psiquiatra Stuart Brown, fundador do The National Institute for Play. Ele conduz pesquisas sobre o efeito do brincar no cérebro e no comportamento e descreve como a privação desse hábito pode se relacionar com adoecimentos e tendência a violência. Ele afirma que o oposto de brincar não é trabalho e sim, depressão. Já a prática de atividades lúdicas pode fortalecer o sistema imunológico, gerar otimismo, empatia e promover o sentimento de pertencimento e comunidade.

Com tantos benefícios, vamos criar hábito de brincar todos os dias?

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