A técnica e a arte de criar filhos

Esta semana foi muito produtiva. Muitas ideias, muitas reflexões… Na minha vida, é comum que as imagens venham durante o sono, ou naquele momento em que estou meio dormindo, meio acordada. 

Uma das imagens que veio em minha mente foi a de um musicista. O que ele precisa para produzir uma bela música?

Talvez vocês estejam se perguntando o que isso tem a ver com criação de filhos… Eu vou chegar lá!

Há algum tempo, em minhas reflexões, cheguei à conclusão de que a criação de filhos se assemelha à medicina. Os médicos aprendem a técnica, os procedimentos, os protocolos. As condutas são baseadas em estudos que indicam o que funciona para a maioria das pessoas. Assim, se a mesma conduta for repetida, haverá maior chance de se ter um resultado satisfatório. Mas a medicina não é apenas técnica. Ela é também arte. Os médicos aprendem a perceber a necessidade de cada paciente. E modulam seu tratamento de acordo com a individualidade de cada um.

Os pais fazem o mesmo. Eles podem aprender técnicas, procedimentos. Há estudos que indicam o que funciona para a maior parte das famílias. E aprender isso pode ser muito útil. Mas a maternidade e a paternidade não se resumem a técnica. Elas são também arte. Cada criança é única, cada pai e mãe são únicos. E cada pai e cada mãe podem se treinar para perceber as necessidades de seus filhos. 

Essa semana, quando me preparava para a Live que realizei na quinta-feira, outra imagem ficou em minha mente. 

Quando queremos fazer uma comida bem gostosa, um bolo talvez, podemos fazer por conta própria ou seguir uma receita. Se estamos inspirados e se já treinamos anteriormente, podemos ter um resultado espetacular sem nem olhar a receita. Mas se não estamos no nosso melhor dia, teremos uma chance maior de ter um bom resultado se seguirmos a receita. 

Isso quer dizer que sempre devemos seguir uma receita? Absolutamente não! Quanto mais treinados estamos e quanto melhor nos sentimos, temos cada vez mais chance de produzirmos algo bem saboroso. Inclusive dar o nosso toque especial, que só nós podemos dar. Também podemos colocar os temperos que nossa família mais aprecia, que fazem com que cada um perceba o amor com que produzimos esse bolo. Então partilhar o bolo em família se torna algo especial, que marca as nossas memórias afetivas. 

Assim também é a parentalidade. Quando não estamos bem, talvez tenhamos mais chance de ter resultados satisfatórios se seguirmos uma receita. Receita essa que é fruto de estudos científicos e opiniões de especialistas. 

Mas isso quer dizer que esse é sempre o melhor caminho? Absolutamente não! Cada pai, mãe e cada criança são únicos. Cada situação que vivemos é particular. E quanto mais nos treinamos e quanto mais nos cuidamos, maiores chances temos de produzir algo belo, realmente especial, nos momentos em que interagimos com os nossos filhos. 

E o que o musicista tem a ver com isso? Os músicos têm um talento especial (assim como todo pai e toda mãe). Só pelo seu talento eles podem produzir lindas melodias. Mas o que acontece quando eles treinam? As melodias se tornam ainda mais harmônicas. Quando não estão se sentindo tão bem, devem prestar mais atenção à partitura para não errar. Mas nos seus melhores dias, quando estão bem cuidados e conectados com todo o seu potencial, conseguem expressar o seu talento de forma mais clara, mais pura. Podem improvisar de acordo com a inspiração que sentem no momento. E produzem melodias que encantam  e estimulam o melhor em nós. 

E nós, pais e mães? Como estamos executando as melodias das nossas vidas?

Estamos expressando todo o nosso talento?

Estamos sabendo identificar os momentos em que devemos prestar atenção na partitura…  na receita…

e os momentos em que conseguimos nos conectar a todo o nosso talento e produzir as belezas que só nós somos capazes de produzir?

Espero que essas reflexões te ajudem em sua caminhada!

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