Alguns cuidados importantes com as nossas crianças

Atualmente as crianças têm fácil acesso a diversos tipos de conteúdos, seja através das telas ou de suas experiências sociais e familiares. Muito se fala sobre o efeito nocivo da exposição a situações de estresse e cenas de violência e suas consequências sobre o desenvolvimento das crianças. No entanto, nesse texto queremos enfatizar o efeito benéfico das exposições positivas.

Os estudos em plasticidade cerebral mostram que o nosso cérebro se molda de acordo com o que é exposto. As experiências repetidas favorecem a formação de circuitos cerebrais diferenciados em cada indivíduo. A exposição a cenas de amor, carinho e gentileza, seja ao vivo ou através das telas, retratos, ilustrações e histórias, contribui para a segurança íntima do indivíduo. A vivência de situações positivas, em que se há expressão de empatia, compreensão, acolhimento, compaixão e respeito, colabora para que as pessoas tendam a reagir de forma semelhante em situações inusitadas. Isso lhes permite vivenciar momentos de adversidade com mais esperança, tendendo a tomar decisões que minimizem conflitos.

Alguns podem questionar essa abordagem, ao considerar que as crianças precisam aprender como o mundo é na realidade. A resposta natural a essa crítica é que o olhar positivo em relação à vida não lhe impede de perceber as adversidades, mas lhe dá recursos para reagir a elas de forma mais equilibrada e que considere o seu próximo. As pessoas que adotam esse olhar tendem a encontrar soluções mais criativas e agregadoras.

A partir dessas considerações, sugiro algumas reflexões:

  • Você acompanha o conteúdo que seus filhos têm acesso nos diversos dispositivos: TV, smartphones, tablets, computadores?
  • Você tem o hábito de assistir noticiários, telenovelas ou filmes que têm conteúdos negativos? Em caso afirmativo, seria possível reduzir essa exposição, pelo menos na presença de crianças?
  • Você tem o hábito de brigar, reclamar ou lamentar na frente das crianças? Se sim, seria possível reduzir?
  • Como você age quando seu filho tem um comportamento difícil? Você consegue ficar sereno para melhor ajudá-lo ou você frequentemente perde o controle de si mesmo? Se você perde o controle, tem buscado recursos pata cuidar melhor de si?
  • Você tem o hábito de abraçar, beijar, ter momentos de carinho com seus filhos? Você diz que os amam? Como você expressa o seu amor por eles?
  • Quando está com seus filhos, você preza por ter momentos de qualidade ou fica a maior parte do tempo fazendo ou pensando em outras coisas?
  • Você tem o hábito de ler ou brincar com seus filhos mostrando conteúdos que estimulem o amor, respeito, colaboração, empatia?
  • Quando você se refere à família, amigos, à sua comunidade, país e o mundo, normalmente usa termos positivos ou negativos? Você deixa uma imagem de acolhimento e esperança?
  • Você cultiva o autoamor e autocuidado? Lembre-se que você é o maior exemplo para seu filho.

Convido vocês a fazerem essas reflexões e a pensarem se há algo na sua postura na vida que possa ser mudado, em benefício de vocês e suas famílias.

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